Separação: O luto por um casamento rompido

Quando falamos em luto, logo associamos o termo à perda de alguém. Mas vocês já pensaram que em nossa vida todos os dias vivenciamos pequenas perdas? Seja a perda de um projeto que não deu certo, a perda de um caminho ao optarmos pelo outro, a perda de um emprego, de um amigo que se mudou para outra cidade, a perda da faculdade que se finaliza… Enfim, todos os dias estamos sujeitos a diversas rupturas, que nos pedem uma readaptação e mudanças em nosso mundo interno e externo. Que nos pedem um luto. Porém, de todas essas pequenas mortes, a perda de um relacionamento amoroso é certamente uma das que mais nos afeta e machuca. E mesmo que o casamento tenha sido infeliz, ainda assim é uma perda com a qual a pessoa tem de lidar.

A perda por divórcio nem sempre é um luto reconhecido, mas quem já passou por essa images-12experiência sabe da tristeza, angústia e incertezas que esse rompimento pode causar. E assim como na perda por morte, na perda por separação também se perde alguém. Alguém que não deixa de existir no mundo, mas deixa de existir na nossa vida. E isso pode tornar o processo de luto pela separação ainda mais complexo, pois é preciso “enterrar” alguém que está vivo e continua a existir, mas com uma vida da qual não se faz mais parte.

A perda pela separação de um amor geralmente vem carregada de muita frustração. Representa a perda de um sonho, de um papel desempenhado anteriormente, a perda da família, do convívio diário com os filhos… A perda de alguns amigos e mesmo do padrão de vida. A ausência da aliança no dedo traz a lembrança do amor perdido. Por mais que se aprenda a aceitar o fim do relacionamento, abrir mão do sonho de “viver felizes para sempre” pode ser a tarefa mais difícil.

Raiva, mau humor e insônia são, muitas vezes, inevitáveis. Sintomas físicos como enxaqueca e problema nas costas (geralmente resultado da tensão muscular) também podem aparecer. Parkes, famoso psicólogo estudioso do luto, afirma que os recém-divorciados passam pelas mesmas etapas de reajuste emocional que passam aqueles que enfrentam o luto por morte, ou seja, negação, raiva, depressão e aceitação. Sendo assim, é importante que a pessoa consiga passar por todas essas fases – não necessariamente nessa ordem – sem ficar presa em nenhuma etapa, amarrada a um passado que não existe mais.

Independentemente de quem tenha tomado a iniciativa no divórcio, ambos sofrem com a thumb-2decisão. Afinal, o casamento foi um sonho construído a dois e investido de muitas
expectativas. Trata-se do fim de um projeto de vida. Por isso mesmo, principalmente quando há filhos, é comum que o par vivencie um sentimento de fracasso e culpa por não conseguirem manter a família unida. E como a culpa muitas vezes é algo difícil de suportar, a tendência é projetá-la no outro, o que culmina em mais mágoas e frustrações.

Em meio a esse turbilhão de mudanças e emoções, é preciso estar atento à forma como esse divórcio repercute no dia-a-dia dos filhos e nos conflitos que podem surgir por causa disso. Filhos de pais em processo de separação ou mesmo já separados podem sinalizar sua dificuldade de lidar com a situação por meio de conflitos com colegas, dificuldades de aprendizagem, aumento da agressividade, agitação excessiva ou falta de disposição, isolamento social, etc. Sintomas físicos como dores de cabeça ou estômago e enurese noturna (voltar a fazer xixi na cama) também são bastante frequentes. Quando adultos alguns podem apresentar dificuldades de se ligar a alguém ou em estabelecer relacionamentos duradouros. É preciso lembrar que essa não é uma regra geral e que cada criança tem um jeito único de reagir, de acordo com seu nível de desenvolvimento cognitivo e emocional. Todavia, é sempre importante estar atento a qualquer mudança de comportamento ou atitude da criança ao longo do processo de separação dos pais. Elas também sofrem os impactos dessa perda e algumas vezes podem ter dificuldades de transformar suas angústias e incertezas em palavras.

O período da separação é sempre um tempo de muito estresse, em que é preciso reorganizar a vida sem a presença daquele que pensamos que estaria para sempre ao nosso lado. Depois dessa “rasteira” da vida é preciso se levantar, sacudir a poeira e seguir em frente. Para isso, a autoestima, autoconfiança e autocompaixão são elementos essenciais.

 O tempo de duração desse processo de luto dependerá de vários fatores, tais como: a o-tempo-curaqualidade da relação, se há outra pessoa envolvida, se o casal tem filhos, se existe apoio emocional da rede de amigos e familiares, entre outros. Mas, em todos os casos,
reconhecer e aceitar todos os sentimentos que esse processo desperta (sejam de amor ou ódio) e compreender que é preciso passar por esse período de transição pode ser um bom começo para a superação. O divórcio não é o fim da linha, e assim como acontecem em todas as crises, pode também ser um momento de novos desafios, oportunidades e renovação. Um momento de reconstruções de vida.

Para finalizar, deixo as palavras de Parkes: “O luto pela perda é o preço que se paga por amar”. E certamente, o amor sempre vale a pena!

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Inspiração: – https://adrianathomaz.wordpress.com/2012/06/01/o-luto-de-um-amor-perdido/

https://saude.terra.com.br/bem-estar/divorcio-causa-estresse-panico-e-emagrecimento-saiba-mais,86a98c3d10f27310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html

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